Previsão de normalidade das chuvas para o Nordeste do Brasil

Cachoeira Paulista, 24 de fevereiro de 2014


 
Os campos oceânicos e atmosféricos globais, referentes ao mês anterior e analisados até a primeira quinzena de fevereiro de 2014, mostraram condições próximas à normalidade nas áreas tropicais dos oceanos Atlântico e Pacífico Leste.  Com isso, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), principal sistema responsável pela ocorrência de chuvas no norte da Região Nordeste, vem se posicionando dentro da climatologia no decorrer destas últimas semanas, indicando uma ligeira tendência de retorno das chuvas a valores próximos à normalidade em algumas áreas.
Dessa forma, a previsão por consenso[1] para o trimestre março-abril-maio de 2014 (MAM/2014), que também considerou o resultado dos modelos dinâmicos e estatísticos de previsão climática sazonal, indicou uma maior probabilidade de ocorrência de totais pluviométricos dentro da categoria normal para o semiárido da Região Nordeste, que inclui o Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, oeste da Paraíba e Pernambuco e extremo norte da Bahia, com a seguinte distribuição de probabilidades: 25%, 45% e 30% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente. Para o norte da Região Norte, desde Roraima ao norte do Pará, a maior probabilidade é de ocorrência de totais pluviométricos na categoria acima da faixa normal, com distribuição de probabilidades igual a 40%, 35% e 25% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal, respectivamente. Ainda não se descarta uma grande variabilidade temporal e espacial das anomalias de precipitação sobre o norte da Região Nordeste, típica de anos considerados normais. Para o oeste da Região Sul, a previsão por consenso indica maior probabilidade de ocorrência de totais pluviométricos no período abaixo da faixa normal, com a distribuição de probabilidades igual a 25%, 35% e 40% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal, respectivamente. Para as demais áreas do Brasil, a previsão indicou igual probabilidade para as três categorias.
No decorrer do referido trimestre, a previsão por consenso indicou temperaturas acima da faixa normal na parte mais central do Brasil e em torno da normal climatológica nas demais áreas do País.
Janeiro foi um mês com baixos índices pluviométricos e predominância de anomalias negativas de precipitação na maior parte do Brasil, com exceção de áreas isoladas no norte, oeste e sul do País. No norte da Região Nordeste, em particular, o déficit pluviométrico reduziu a capacidade da maioria dos reservatórios hídricos, cujos valores foram inferiores a 30%.  Nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, a ausência de episódios bem configurados da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) também resultou na diminuição do nível da maioria dos reservatórios monitorados. Este cenário persistiu no decorrer da primeira quinzena de fevereiro de 2014. Ressalta-se, contudo, que o posicionamento de sistemas transientes (vórtices ciclônicos na alta troposfera e circulação anticiclônica anômala na média e alta troposfera), sobre e próximo a Região Sudeste, contribuiu para o aumento das chuvas em várias localidades do semiárido da Região Nordeste, onde acumulados diários de precipitação entre 50 mm e 100 mm amenizaram a condição de seca. No sul do Brasil, a presença de uma condição de bloqueio atmosférico no Pacífico Sul favoreceu o excesso de chuva principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
Informações adicionais sobre as condições oceânicas e atmosféricas globais e a situação da chuva em todo o Brasil serão disponibilizadas no endereço http://infoclima1.cptec.inpe.br.





[1] Elaborada pelo INPE/CPTEC, CCST e CEMADEN, com participação do INMET, FUNCEME e Centros Estaduais de Meteorologia do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Bahia.


Atualizado em 13/03/2014 14:15

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