Perspectiva de outono chuvoso para o leste do Nordeste



Cachoeira Paulista, 21 de março de 2014

 

As anomalias da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) sobre o Pacífico Equatorial Leste, durante fevereiro passado, continuaram mostrando valores negativos, cuja magnitude foi maior que em janeiro precedente, comprovando as previsões de anomalias de TSM pelo modelo acoplado BESM do INPE. A temperatura das águas superficiais em uma área do Atlântico Norte, próximo à costa noroeste da África, passou a valores abaixo da climatologia, contribuindo para a atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), principal sistema responsável pela ocorrência de chuvas no norte da Região Nordeste, próximo de sua posição climatológica durante fevereiro. No Atlântico Tropical Sul, por sua vez, a temperatura das águas superficiais dentro da normalidade e os ventos de sudeste mais intensos do que a média de longo período podem favorecer a ocorrência de pluviometria mais acentuada no leste da Região Nordeste do Brasil nos meses de outono (abril-maio-junho). 

A previsão por consenso[1] para o trimestre abril-maio-junho de 2014 (AMJ/2014), após a análise das condições diagnósticas oceânicas e atmosféricas e dos modelos dinâmicos e estatísticos de previsão climática sazonal, indicou uma maior probabilidade de ocorrência de totais pluviométricos dentro da categoria acima da normal para o leste da Região Nordeste, desde o Rio Grande do Norte ao nordeste da Bahia, com a seguinte distribuição de probabilidades: 40%, 35% e 25% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente. Para uma área que compreende o semiárido do Nordeste (PI, CE, oeste do RN, PB e PE e norte da BA), a previsão por consenso indicou a maior probabilidade de ocorrência de chuvas na categoria normal (45%), a segunda maior probabilidade na categoria acima da faixa normal (35%) e probabilidade de 20% para a categoria abaixo da faixa normal climatológica.  Para o norte da Região Norte, desde Roraima ao norte do Pará, a maior probabilidade é de ocorrência de totais pluviométricos na categoria normal, com distribuição de probabilidades igual a 25%, 40% e 35% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal, respectivamente. Ainda para o oeste da Região Norte, a previsão por consenso também indicou maior probabilidade de ocorrência de totais pluviométricos dentro da faixa normal, porém com distribuição de probabilidades igual a 30%, 40% e 30% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal, respectivamente. Para o oeste da Região Sul, permanece a maior probabilidade de chuvas na categorial normal (40%), com a segunda maior probabilidade das chuvas ocorrerem abaixo da faixa normal (35%) e probabilidade de 25% dos totais pluviométricos situarem-se acima da faixa considerada normal. Para as demais áreas do Brasil, a previsão indicou igual probabilidade para as três categorias.  

No decorrer do trimestre AMJ/2014, a previsão por consenso indicou temperaturas próximas à normal climatológica para todo o País. Ressalta-se, porém, a ocorrência de uma grande variabilidade temporal das temperaturas no sul do Brasil, ou seja, períodos anomalamente mais quentes ou mais frios no decorrer deste trimestre.

A ausência de episódios bem configurados da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), em parte associada à presença anômala de vórtices ciclônicos na média e alta troposfera, continuou contribuindo para a escassez de chuvas na maior parte das Regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, especialmente durante a primeira quinzena de fevereiro. No decorrer deste mesmo período, as chuvas muito acima da média no norte da Bolívia também contribuíram para o aumento dos níveis dos rios no sudoeste da Amazônia. Já durante a segunda quinzena, ocorreu aumento da convecção em grande parte da Região Centro-Oeste,  com predominância de anomalias positivas de precipitação principalmente no centro-sul do Mato Grosso, no norte do Mato Grosso do Sul e no oeste de Goiás. A condição de bloqueio atmosférico na região do Pacífico Sul, ainda presente neste último mês, favoreceu o excesso de chuva no sul da Região Sul do Brasil.

Informações adicionais sobre as condições oceânicas e atmosféricas globais e a situação da chuva em todo o Brasil serão disponibilizadas no endereço http://infoclima1.cptec.inpe.br.






[1] Elaborada pelo INPE/CPTEC, INPE/CCST, INPA e CEMADEN, com a colaboração do INMET, FUNCEME e Centros Estaduais de Meteorologia.  







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