Centro de Previsão
de Tempo e Estudos Climáticos
Condições de estiagem devem continuar no Nordeste do Brasil

As alterações notadas nos campos oceânicos e atmosféricos globais, em conjunto com a indicação da maioria dos modelos de previsão climática, sugerem a possível persistência de condições de estiagem no leste do Nordeste, que se encontra no seu período mais chuvoso, e também no setor norte da Região Norte. Nestas áreas, a previsão de consenso elaborada pelo CPTEC/INPE em conjunto com o INMET e os centros estaduais de Meteorologia continua ressaltando a maior probabilidade de chuvas entre as categorias normal (40%) e abaixo da normal climatológica (35%) para o trimestre junho, julho e agosto de 2012 (JJA/2012). Para o extremo norte da Região Norte, que inclui grande parte de Roraima e do Amapá, e numa faixa mais central que engloba o sul das Regiões Centro-Oeste e Sudeste e o norte da Região Sul, a previsão aponta maior probabilidade de ocorrência de chuvas na categoria normal (40%), seguida pela categoria acima da normal climatológica (35%). Nas demais áreas do País, a distribuição espacial das chuvas tem igual probabilidade nas três categorias (abaixo, normal e acima da normal climatológica).

As temperaturas continuam sendo previstas em torno da normal climatológica em todo o Brasil durante os meses de junho a agosto de 2012. Considera-se, contudo, que incursões de massas de ar frio podem causar declínio mais acentuado das temperaturas durante alguns períodos, assim como episódios de geada sobre o centro-sul do País.

As águas superficiais nas áreas equatoriais e tropicais do Oceano Atlântico permanecem mais frias que o normal, afetando o desenvolvimento de sistemas importantes para a ocorrência de chuvas na Região Nordeste. As oscilações intrassazonais continuam presentes e também contribuíram para a diminuição das chuvas durante a primeira quinzena de abril. Sinais mais favoráveis destas oscilações para a ocorrência de chuvas são esperados entre o final de maio e início de junho, tanto para o Sudeste como para o Nordeste do Brasil. Para o semiárido nordestino, as expectativas de chuvas são reduzidas para o trimestre junho a agosto em função do estabelecimento do período climatológico de estiagem, ou seja, da estação mais seca do ano. 

Abril terminou com predominância de chuvas abaixo da média histórica na maior parte do Brasil, com exceção de algumas áreas no Amazonas, onde a ocorrência de chuvas mais intensas causou a elevação dos principais rios, e no centro-sul do Brasil, em particular no sul do Mato Grosso do Sul, em São Paulo e no Paraná, onde houve maior atuação de sistemas frontais em conjunto com a passagem de perturbações na média e alta troposfera.  Destacaram-se as chuvas diárias registradas em Castro-PR (91,2 mm, no dia 11), Porto de Moz-PA (108,2 mm, no dia 16), Pedro Afonso-TO (96,8 mm, no dia 22), Itacoatiara-AM (139,6 mm, no dia 24) e em Caracaraí-RR (94 mm, no dia 29), segundo dados do INMET.

A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) atuou ao norte de sua posição climatológica, ocasionado um déficit pluviométrico de até 300 mm no norte do Nordeste. As condições de ligeiro resfriamento atualmente observadas no Atlântico Tropical sugerem que o leste da Região Nordeste também terá seu período chuvoso comprometido, com pouca atuação dos aglomerados de nuvens que se formam sobre áreas oceânicas e estão associados a distúrbios no escoamento de leste neste período do ano. 

Informações adicionais sobre as condições oceânicas e atmosféricas globais e a situação da chuva em todo o Brasil serão disponibilizadas no endereço http://infoclima1.cptec.inpe.br. As definições dos termos meteorológicos e dos sistemas sinóticos mencionados no texto podem ser encontradas em http://www7.cptec.inpe.br/glossario.

Atualizado em 24/05/2012 15:39

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