Tendência de condições de neutralidade no Pacífico equatorial

Cachoeira Paulista, 27 de junho de 2013 


Para os próximos meses, as previsões dos modelos climáticos indicam persistência de condições de neutralidade no Oceano Pacífico equatorial (ou seja, ausência da atuação dos fenômenos climáticos El Niño ou La Niña). Estas previsões também indicam a manutenção de águas levemente mais quentes no setor tropical norte do Oceano Atlântico e condições próximas à normalidade no setor tropical sul. Este padrão do Atlântico pode prejudicar o regime de chuva de parte da região amazônica, devido ao possível posicionamento da Zona de Convergência Intertropical no norte da América do Sul.

Tendo em vista estas considerações, a previsão climática por consenso entre CPTEC, INMET e FUNCEME, com participação de especialistas do CEMADEN e IAG/USP, considerou para o trimestre julho a setembro de 2013 (JAS/2013) a tendência para um regime de déficit de chuva para a área central da Região Norte (incluindo grande parte dos Estados do Amazonas e Pará), com uma distribuição de 20%, 35% e 45% de probabilidade de ocorrência de chuva nas categorias acima da normal, dentro da normal e abaixo da normal climatológica, respectivamente. Tendência de déficit de chuva também está sendo prevista para a Região Sul do Brasil, com uma distribuição de 25%, 30% e 45% de probabilidade de ocorrência de chuva nas categorias acima da normal, dentro da normal e abaixo da normal climatológica, respectivamente.

Para a faixa leste da Região Nordeste, a previsão por consenso indica condições variando entre normal a ligeiramente abaixo da normal no trecho entre o leste do Rio Grande do Norte ao nordeste de Alagoas, com uma distribuição de 30%, 35% e 35% de probabilidade de ocorrência de chuva nas categorias acima da normal, dentro da normal e abaixo da normal climatológica, respectivamente. Para uma pequena área desde o sul de Alagoas até o Recôncavo Baiano, a tendência é de um padrão variando entre normal a ligeiramente acima da normal, com uma distribuição de 35%, 35% e 30% de probabilidade de ocorrência de chuva nas categorias acima da normal, dentro da normal e abaixo da normal climatológica, respectivamente. Para as demais áreas do território nacional, a previsão indica comportamento climatológico para o trimestre JAS/2013, com igual probabilidade de ocorrência de chuva nas três categorias de previsão (abaixo da normal, dentro da normal e acima da normal), ressaltando-se a continuidade do período natural de estiagem em grande parte do Brasil Central e região do semi-árido do Nordeste, caracterizado por ocorrência de baixos volumes pluviométricos, que tende a favorecer o surgimento de focos de queimada.

Em termos de temperaturas, a previsão para os próximos meses é de um padrão entre normal a ligeiramente acima da normal climatológica nas Regiões Norte e Nordeste, e um comportamento próximo à normalidade nas demais áreas do País. Destaca-se que ao longo do trimestre JAS/2013, ocorrem incursões de massas de ar de origem polar, que provocam queda acentuada de temperatura no centrossul do Brasil, eventualmente podendo atingir parte da Região Centro-Oeste e o sul da Região Norte, caracterizando os conhecidos episódios de “friagem”. Além disso, ao longo do período há possibilidade de formação de geadas e nevoeiros na Região Sul e parte da Região Sudeste, e de forma eventual, queda de neve nas regiões serranas do sul do País.

Uma breve análise do balanço de precipitações observadas durante o mês de maio mostrou que os maiores volumes ficaram concentrados no setor norte da Amazônia. Com base em dados do INMET, foram registrados totais mensais de aproximadamente 490 mm em São Gabriel da Cachoeira/AM e em Caracaraí/RR. Dentre as capitais, Macapá/AP apresentou o maior acumulado (461 mm), sendo que a normal climatológica de maio é de 362 mm. Também houve eventos expressivos de chuva em diversas áreas da faixa leste da Região Nordeste (choveu cerca de 96 mm em apenas 24 horas em Natal e Salvador, nos dias 18 e 27, respectivamente), de acordo com o comportamento natural da estação chuvosa da região. No entanto, as ocorrências não foram bem distríbuídas, e muitas localidades encerrraram o mês com volume deficiente, tais como as capitais Salvador/BA (total de cerca de 231 mm, sendo 360 mm a média climatológica), Maceió/AL (registrou cerca de 246 mm, sendo 382 mm a climatologia de maio), e Aracaju/SE (registrou aproximadamente 111 mm, sendo 334 mm a média climatológica), de acordo com informações do INMET.

Informações adicionais sobre as condições oceânicas e atmosféricas globais e a situação da chuva em todo o Brasil serão disponibilizadas no endereço http://infoclima1.cptec.inpe.br/.

Atualizado em 27/06/2013 13:49

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