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de Tempo e Estudos Climáticos
Síntese sinótica do mês de dezembro de 2005
Durante o mês de dezembro de 2005 observou-se o ingresso de 8 sistemas frontais frios no Brasil, caracterizando um aumento na freqüência se comparado ao mês anterior, quando houve 5 frentes.

1) dia 01-04
2) dias 06-08
3) dia 09
4) dias 09-12
5) dias 17-18
6) dias 19-21
7) dias 24-26
8) dia 31

Pode-se notar que apenas 3 das frentes (1, 2 e 4) alcançaram latitudes mais baixas. Entretanto, foram necessários processos ciclogenéticos adicionais para que elas atingissem Ilhéus, Caravelas e Campos dos Goytacazes (RJ), respectivamente. A frente 1, deu origem a um processo particular onde houve formação de duas ondas frontais no decorrer de sua trajetória. A frente 2 foi a que teve maior penetração pelo interior, chegando até Campo Grande no MS.

Entre os dias 09 e 10, quando duas frentes passaram pelas cidades de Santa Vitória do Palmar e Rio Grande no RS. A frente 3, oriunda de latitudes altas, possuía trajetória predominantemente marítima, deslocando-se ainda mais para o oceano no decorrer do dia 09. Entretanto uma ciclogênese no litoral do Uruguai deu origem a outra frente que avançou até o norte fluminense.

A frente 5 esteve associada a uma ciclogênese no dia 17, que formou uma frente fria de fraca intensidade e penetração no continente.

A frente 6 e a frente 8 tiveram origem em latitudes altas (Argentina) e avançaram pelo Brasil atingindo o litoral sul de São Paulo e litoral sul do Rio Grande Sul respectivamente, mas sem avanço significativo pelo interior do país.

A frente 7 veio acompanhada de uma onda frontal no sudeste do Rio Grande do Sul no dia 24 chegando ate o sul do Rio de Janeiro.

Monitoramento das ciclogêneses:

Posicionamento de formação da baixa pressão e trajetória do deslocamento ( vide Figura 2)


Monitoramento dos Vórtices Ciclônicos de Altos Níveis do tipo Palmén:

Obs: Estes três eventos de vórtices ciclônicos de altos níveis, não atuaram na condição de tempo no continente. Foram eventos secos, sem aprofundamento para baixos níveis da atmosfera.

Precipitação do mês:

Verifica-se no campo de anomalia de precipitação para o mês, figura 6, que as anomalias positivas mais significativas ficaram concentradas no norte da Região Norte, onde verificou-se uma anomalia superior aos 200 mm no norte do Pará e no Amapá, provocadas pela intensificação dos ventos de norte que advectaram umidade do Atlântico Norte.
Nas demais áreas do Norte, no Centro-Oeste e no norte do Sudeste também predominou a anomalia positiva, figura 6. No Sudeste, MS e GO a anomalia positiva concentrou-se na primeira quinzena, figura 7.
No Nordeste a anomalia positiva ficou restrita ao norte da Região, concentrando entre o CE e SE na primeira quinzena, figura 7 e no norte do Maranhão na segunda quinzena, figura 8. Em SP e na Região Sul as anomalias de precipitação ficaram em torno ou abaixo da média. Apenas na segunda quinzena verificou-se anomalia positiva no centro-sul de SP.

Circulação atmosférica no mês de dezembro/2005:

Altos níveis da troposfera:

Aqui representado pelo nível de 200 hPa (figuras 9, 10 e 11), verificou-se a Alta da Bolívia bem configurada assim como o ?cavado do Nordeste?, o qual na segunda quinzena, figura 11, indicou um padrão clássico da formação de VCANS do tipo Palmén, com uma área de cavado no leste do Sudeste), no entanto, os ventos mais intensos de oeste no centro-norte do Brasil, provocaram o afastamento do continente, desta área de baixa pressão fechando uma circulação ciclônica, VCAN, a leste da BA, figura 11 (não atuando na condição de tempo na Região Nordeste do Brasil). Sobre o RS verificou-se o jato subtropical, mais intenso na primeira quinzena (figura 10) o que favoreceu a entrada dos sistemas frontais no interior do Brasil até latitudes mais baixas (comentado no início do texto em Sistemas frontais). No leste do Sudeste, a amplificação da área de cavado na segunda quinzena (figura 11), aliada ao calor e a umidade favoreceu ondas curtas e a intensificação de eventos meteorológicos (temporais) verificado em casos significativos, no final desta página.

Médios níveis:

Representado aqui pelo nível de 500 hPa. Os principais fatores a serem comentados são: a região de anomalia negativa no Atlântico sudoeste, indicando a região ciclogenética, com a região de cavado no leste do Sudeste, mais amplificada na média da segunda quinzena, figura 14; a região de subsidência (associada a um bloqueio no sul da América, figura 12) no sul do continente, verificada nos dois períodos, figuras 13 e 14; a intensificação da crista associada ao anticiclone do Atlântico (ASAS) no leste do Sudeste e do Nordeste, principalmente na segunda quinzena, o que favoreceu a diminuição da precipitação no norte de MG e no Nordeste; e no norte da Argentina e na Região Sul também verifica-se a anomalia positiva no geopotencial, figura 12, indicando o predomínio de subsidência.

Baixos níveis:

O escoamento meridional em 850 hPa, indicou uma intensificação nos ventos de norte entre o sul da Amazônia, o Centro-Oeste e o Sudeste (figura 18) o que auxiliou a advecção de umidade de latitudes mais baixas (região Norte), predominantemente para o Centro-Oeste e Sudeste (indicando a desintensificação do jato de baixos níveis, na média, no entanto, quando ele configurou-se potencializou principalmente o centro-norte da Região Sul).
O campo de anomalia quinzenal da pressão ao nível médio do mar, figuras 16 e 17, indicou o avanço dos sistemas frontais para latitudes mais baixas na primeira quinzena, quando verificou-se uma anomalia negativa na pressão no Atlântico e um anticiclone no Sul do Brasil (também indicativo das ciclogêneses e dos sistemas frontais que avançaram pelo interior do continente).
No campo de pressão verificou-se também a intensificação do anticiclone do Atlântico no leste do Sudeste, no segundo período, figura 17.

Período classificado como um evento de ZCAS:

No período entre 08 e 16, ficou caracterizado o único evento da Zona de Convergência do Atlântico Sul -ZCAS do mês. Verificando-se as médias do período confirma-se a anomalia positiva das chuvas entre o norte das Regiões Centro-Oeste e Sudeste, figura7. Observa-se o padrão em altitude, figura 23, com a Alta da Bolívia e o Cavado do Nordeste, além da região de cavado mais pronúnciado no leste do Sudeste auxiliando o desenvolvimento da nebulosidade na área de diflûendia entre o cavado no leste do Sudeste e a Alta da Bolívia.
Em 500 hPa, figura 24, observa-se também a área de cavado no leste do Sudeste, que posicionou-se com seu eixo pouco mais a norte favorecendo a área de convergência de umidade, verificada na figura 26, no centro-norte do Sudeste. E em superfície, figura 25, verifica-se a anomalia negativa, associada as frontogêneses no Atlântico sudoeste que alimentaram o canal de umidade entre o Centro-Oeste e o Sudeste.

Casos significativos

Na Tabela (abaixo) apresenta-se um resumo dos principais casos signficativos acontecidos no mês de dezembro.



Atualizado em 06/01/2006 14:39

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