Acompanhamento de frentes fria que atuaram no território brasileiro, neste mês (figuras 1, 2 e 3):
Foram seis sistemas frontais, quatro destes (1, 3, 4 e 5) deslocaram-se de latitudes mais altas. A frente fria 1, provocou a queda mais significativa nas temperaturas no Sudeste e friagem no sul da Amazônia. No dia 04, a estação do INMET, registro 0,2 graus na Serra da Mantiqueira, em Campos do Jordão! A temperatura mais baixa do ano, para 2006 e a mais baixa para o mês de maio, desde 1999. Já o sistema frontal 2, foi bastante interessante: verificou-se um vórtice de altos níveis frio, deslocando-se do Pacífico, em torno de 30S, passando os Andes no dia 05. Este sistema deslocou-se, atuando no RS, como VCAN até o dia 10, quando formou-se a ciclogênese a leste de SC e do RS. Analisando o padrão sinótico observa-se que a massa associada a este sistema, não é de origem polar (devido ao escoamente leste/oeste) e que a corrente de jato associada a formação da frente em supefície foi o subtropical (o que indica um menor gradiente de temperatura em superfície). Isto caracterizou o sistema como uma "frente subtropical", a qual não tem um contraste de massa tão significativo, quanto as frentes fria associadas ao Jato Polar (sistemas associados a massa de ar de origem polar). No entanto, provoca chuvas significativas, aumento de pressão (após a passagem) e relativa queda da temperatura (principalmente a máxima). A diferença principal é que não observa-se a queda significativa da temperatura do ponto de orvalho, porque a massa de ar pós-frontal, não é tão seca quanto as associadas a frentes frias clássicas. Este sistema 2, causou mais impacto no leste do Nordeste (entre BA e PE) do que no Sul e Sudeste.
A frente fria 3, provocou as temperaturas mais baixas em SC. 0,2 graus negativos em Major Vieira (nordeste de SC), a temperatura mais baixa registrada este ano. A frente fria 4, também de origem polar, manteve o frio no centro-sul do Brasil e causou nova friagem na Amazônia. Já a frente 5, não conseguiu deslocar-se para latitudes mais baixas, chegando até o sul de SC. Isto porque uma intensa massa de ar seco predominou no centro do país a partir do dia 26. Este sistema pode ser verificado nos boletins técnicos, principalmente no campo de 500 hPa, onde verifica-se a forte subsidência (núcleo anticiclônico) associada ao significativo aniciclone dinâmico que deslocou-se de oeste para o centro-norte do Brasil, perdurando até o final do mês. E a frente fria 6, uma onda frontal que começou a formar-se dia 31, a leste da Região Sul. Atuou principalmente no RS, quando ainda cavado no dia 29, causando chuvas e descargas elétricas, neste dia. E devido a presença da massa de ar, cmentada anteriormente, também não conseguiu deslocar-se para latitudes mais baixas, sobre o Brasil.
Figura 1 ? O acompanhamento das frentes pelo litoral ocorre nos horários das 00 e 12 UTC.
Figura 2 ? O acompanhamento das frentes na região central ocorre nos horários das 00 e 12 UTC.
Figura 3 ? O acompanhamento das frentes na região central ocorre nos horários das 00 e 12 UTC.
Anomalias de precipitação e temperatura:
Na figura 4, verifica-se o campo de anomalia de precipitação mensal, com as anomalias de precipitação mais significativas (acima da média), no norte do país (tons azuis) e no nordeste do RS, incluíndo a região metropolitâna.
Comparando-se a anomalia quinzenal da precipitação, notamos que:
A anomalia positiva no norte do Brasil, é devido a Zona de convergência Intertropical-ZCIT, que manteve-se mais ao sul nos primeiros dias de maio. Na segunda quinzena ela já deslocando-se para norte, ainda causou anomalia positiva entre o Pará e parte do Maranhão.
E no Rio Grande do Sul, verificou-se anomalia positiva, no nordeste e interior do Estado, incluíndo na região metropolitâna. Esta anomalia foi favorecida pela intensa frente fria (número 4, na figura 1), que entrou no Estado entre os dias 18 e 19. No entanto, outras frentes frias passaram e não conseguiram, causar chuvas significativas, qual foi o diferencial ? Analizando-se o campo de anomalia do vento zonal, em 850 hPa (figura 17), observa-se a intensificação dos ventos de quadrante norte, entre Bolívia e Argentina, indicando a presença do Jato de Baixos Níveis-JBN, configurado mais ao oeste. Este sistema intensificou o canal de umidade associado ao deslocamento da frente fria e provocou chuvas mais significativas.
Na primeira quinzena verificou-se anomalias positivas entre TO, MG e oeste da BA, favorecidas pelas frentes frias, associadas ao transporte de umidade em baixos níveis entre a Amazônia e está área, verificado na figura 16, onde nota-se a anomalia de norte nesta região.
No leste do Nordeste verificou-se algumas anomalias positivas, na segunda quinzena, associadas a distúrbios de leste, como no dia 23 e a frente 4 (figura 1) que atuou a partir do dia 25.
Este mês foi caracterizado pelas baixas temperaturas no centro-sul do país, batendo recordes de temperatura, principalmente, no Sudeste e no Sul. Isto é verificado nas anomalias de temperatura (tanto das máximas, figuras 8 e 9, quanto das mínimas, figuras 9 e 10), nas duas quinzenas. Na figura 11, verifica-se a variação diária de temperatura na Estação do INMET, em Rio Branco-AC, para o mês de maio. Verificando-se as duas friagens que ocorrerão no mês. A primeira no início da primeira quinzena e a segunda após o dia 20. A primeira friagem esteve associada a uma onda mais amplificada (onda longa), tendo um a atuação de vários dias. Já a segunda friagem esteve associada a uma onda menos amplificada tendo uma atuação mais rápida na Amazônia.
Acompanhamento das ciclogêneses:
Neste mês houveram 8 ciclogêneses. Três na primeira quinzena e cinco na segunda. Na figura 12, observa-se apenas 7 ciclogêses, pois a oitava configurouse, na noite do dia 31, centrada no nordeste do Rio Grande do Sul, aprofundando-se e deslocando-se para o oceano no da primeiro de junho.
A ciclogênese do dia 10 formou uma "frente subtropical" deslocando seu ramo frio até Maceió-AL. Este sistema causou um acumulado de 131 mm em Maceió.
Verificou-se mais ciclogêneses na segunda quinzena, quando predominou um escoamento menos amplificado (mais ondas curtas.
Análise do padrão sinótico:
Na primeira quinzena observa-se uma anomalia positiva no centro-sul da América do Sul e no Atlântico (figura 14). Esta anomalia está relacionada com a entrada continental dos anticiclones migratórios associados as frentes frias (frente 1 e 2, figura 1). O primeiro sistema frontal, do mês, foi bastante intenso causando friagem no sul da Amazônia e geada na região Sul, na Serra da Mantiqueira (Sudeste) e no sul de Mato Grosso do Sul.
Isto é indicativo de um período de pouca chuva no centro-sul do Brasil, com predomínio do vento meridional de sul, a leste dos Andes.
Já na segunda quinzena (figura 15), observa-se ainda, no interior do continente, uma anomalia positiva do campo de PNMM, mas, bem menos significativa, reflexo de um novo anticiclone associado a uma frente fria em torno do dia 20, no entanto, este sistema deslocou-se rapidamente para o Atlântico. Este sistema, provocou friagem na Amazônia, com forte queda das temperaturas, no entanto, deslocou-se rápidamente.
Além disto, analisando-se o Pacífico, observa-se duas fases, bem distintas (acompanhando o padrão de onda) no Pacífico sudeste: na primeira quinzena observou-se anomalia negativa desde altas latitudes até 20S, no entanto, esta anomalia esteve fraca na altura do Chile. Na segunda quinzena, verifica-se a quebra e a inversão desta anomalia, em torno de 55S, com a configuração de anomalia positiva. Mas, uma significativa anomalia negativa surgiu em latitudes mais baixas , em torno de 30S. Isto pode caracterizar o padrão de onda que predominou no Pacífico, nas duas quinzenas: na primeira verificou-se um padrão de onda longa, com anomalia positiva no Atlântico e Negativa no Pacífico. Já na segunda este padrão quebrou-se, principalmente no período de um belíssimo bloqueio no Pacífico depois do dia 20, (verificar boletim técnico). Mesmo assim persistiu a anomalia negativa, menos intensa que na primeira quinzena. Observou-se ondas menores deslocando-se tanto em latitudes baixas quanto em latitudes altas (claro dipólo de anomalias Atlântico/Pacífico, verificado nesta quinzena), mostrando dois guias de onda.
Quanto ao Atlântico, nas duas quinzenas, observa-se um bloqueio (do tipo dipólo), no entanto, na segunda está mais intensa a área ciclônica, no campo de pressão ao nível médio do mar indicando que as ciclogêneses foram mais intensas.
A primeira quinzena mostra claramente a entrada das massas de ar frio, pelo interior do continente, na anomalia positiva (de sul) do vento meridional (figura 17). Nota-se também os sistemas bem mais latitudinais, ou seja, sistemas de onda longa.
Na segunda quinzena (figura 18), verifica-se a intensificação dos ventos de quadrante sul no leste do Brasil, devido ao deslocamento mais marítimo dos sistemas frontais. além disto, configurou-se o Jato de baixos níveis a leste dos Andes, com uma anomalia relativamente significativa, se comparada a meses anteriores, indicando a persistência deste sistema. Esta persistência favoreceu maiores acumulados de precipitação, nesta quinzena no Rio Grande do Sul (o que já foi comentado na anomalia de chuva).
Na primeira quinzena verifica-se a anomalia positiva de geopotencial no Atlântico Sudoeste e no sul do continente e a anomalia negativa a leste das Regiões Sul e Sudeste, caracterizando uma situação de bloqueio no Atlântico, com ciclogêneses a leste do centro-sul do Brasil (figura 20).
Na segunda quinzena houve a quebra deste bloqueio no Atlântico, . A anomalia negativa de geopotencial, indicou o enfraquecimento do bloqueio, na costa da Regão Sul, (deslocando-se para leste, sobre o Atlântico) o que favoreceu o avanço dos anticiclones pós-frontais mais marítimos (figura 21). Além disto observa-se a anomalia positva no continente, reflexo da entrada de um anticiclone dinâmico pelo noroeste do continente, em torno do dia 26 e que também foi um fator responsável para que os o avanço das frentes pelo interior do Brasil.
Este tipo de bloqueio favorece ciclogêneses no Atlântico. Ao contrário do bloqueio da primeira quinzena de abril (do tipo omega) que impede ciclogêneses no Atlântico e deixa o tempo seco no centro-sul. Este tipo de sistema (bloqueio do tipo dipólo), foi verificado nas duas quinzenas, no entanto, enfraqueceu na costa do Brasil na segunda.
Já no Pacífico houve a inversão do padrão, ou seja, configurou-se um padrão de bloqueio, em torno do dia 21. Mas apenas causou uma diminuição na anomalia negativa, não caracterizando o bloqueio na figura quinzenal.
Na primeira quinzena, nota-se a bifurcação na anomalia positiva (de oeste) dos ventos (figura 23) associada ao padrão de bloqueio. A corrente de jato Subtropical mais ao norte, em torno de 20S, indicando o avanço dos sistemas frontais até latitudes mais baixas; o jato Polar em torno de 60S e uma anomalia negativa (de leste), sobre o Atlântico oeste, Argentina e RS, indicando a região de crista, provocada pelo avanço de intensas massas de ar, associadas aos anticiclones pós-frontais.
E na segunda quinzena observa-se a intensificação da anomalia de oeste no Nordeste do Brasil (em torno de 15S), reflexo do avanço dos sistemas forntais pelo leste do Brasil e o deslocamento do ramo do jato Polar Norte para norte, ficando em torno de 35S, sobre o continente sulamericano, (figura 24). A anomalia negativa (de leste) também deslocou-se para latitudes mais baixas ficando entre o Sudeste e o Sul do Brasil e o Atlântico. Este padrão em altitude, também confere a diminuição da amplitude das ondas. Casos significativos
A Tabela (abaixo) apresenta um resumo dos principais casos significativos acontecidos no mês de maio.
AVALIACÃO DE AVISOS METEOROLÓGICOS ESPECIAIS
O texto abaixo apresenta a avaliação subjetiva dos avisos meteorológicos especias.