Centro de Previsão
de Tempo e Estudos Climáticos
Síntese do mês de julho de 2006
Acompanhamento de frentes frias que atuaram no território brasileiro, neste mês (figuras 1, 2, 3 e 4):
Foram seis sistemas frontais, dos quais apenas 2 (2 e 8) deslocaram-se até latitudes mais baixas (figura 1). A frente fria 2 foi a primeira do mês que conseguiu chegar à Região Sudeste do Brasil causando chuvas e ligeira queda de temperatura em São Paulo entre os dias 09 e 10. Pela região central essa frente fria 2 chegou até Guaíra? PR (figura 3). Em seguida um forte bloqueio atmosférico no Pacífico impediu que novas frentes frias avançassem até a região tropical. Sobre as Regiões Sudeste e Centro-Oeste estabeleceu-se uma massa de ar quente e seco que causou forte declínio da umidade relativa do ar e recordes de temperatura máxima, por exemplo na capital de São Paulo a temperatura máxima chegou a 30,2C na tarde do dia 24/07. O rompimento desse bloqueio aconteceu com uma forte onda frontal (frente fria número 8) que se formou no dia 27/07, com a ciclogênese próxima de Bahia Blanca (Argentina). A frente fria deslocou-se rapidamente para o Brasil no dia seguinte (28/07) e atingiu o sul da Bahia no dia 31/07. Essa nova frente fria causou temporais em algumas localidades de SC, inclusive com queda de granizo no oeste desse Estado na tarde do dia 28/07. Também contribuiu para o aumento da umidade relativa do ar nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste. Uma forte massa de ar frio Antártico acompanhou essa onda frontal causando brusca queda de temperatura no Sul, Sudeste e em parte do Centro-Oeste brasileiro e geadas em grande parte do RS, de SC e do PR. A temperatura na madrugada do dia 31/07 chegou a -5C na cidade de São Joaquim ?SC.


Figura 1 ? O acompanhamento das frentes pelo litoral nos horários das 00 e 12 UTC.



Figura 2 ? O acompanhamento das frentes no interior nos horários das 00 e 12 UTC.



Figura 3 ? O acompanhamento das frentes na região central nos horários das 00 e 12 UTC.



Figura 4 ? O acompanhamento das frentes no oeste nos horários das 00 e 12 UTC.



A Tabela (abaixo) apresenta um resumo das ocorrências meteorológicas significativas do mês de julho.






Análise do padrão sinótico Mensal:


O mês de julho de 2006 foi caracterizado por anomalias negativas de precipitação na maior parte do Brasil (figura 5). Também observou-se anomalias positivas de temperatura máxima (Figura 6) e de temperatura mínima (Figura 7), principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Também em grande parte das Regiões Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste observou-se o mesmo padrão de anomalias. No litoral da região Nordeste e em grande parte da região Norte choveu pouco nesse mês e o déficit de chuvas atingiu até 100 mm, principalmente entre o litoral de Pernambuco e do Rio Grande do Norte. Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, o sul da região Amazônica e o oeste da região Nordeste as anomalias foram negativas, embora o mês de julho é caracterizado por pouca chuva nessas áreas. Também em parte do Estado de São Paulo, o sul de Minas Gerais e o Rio de Janeiro tiveram forte anomalias positivas de temperatura máximas. As figuras 8, 9, 10 e 11 mostram os campos médios e de anomalia no escoamento atmosférico do mês de julho. O campo de anomalia de pressão (Figura 8) mostra anomalias positivas no oceano Pacífico ao longo do paralelo 55S e negativas próximas do paralelo 30S. No oceano Atlântico foi verificado anomalias negativas de pressão próximo do paralelo 40S. Essas anomalias negativas na pressão são um indicativo da passagem dos sistemas frontais mais ao sul do Brasil, como mostrado na figura 1. O campo de geopotencial em 500 hPa (Figura 9) também mostra que uma forte crista no Continente apresentou anomalias positivas desde o sul do Brasil até o norte do Chile e oceano Pacífico, causando um "bloqueio" atmosférico que impediram o avanço das frentes frias para a região Sudeste do Brasil, além da entrada de intensas massas de ar frio. O campo de vento em 850 hPa (Figura 11) mostra anomalias negativas dos ventos de norte entre o Paraguai e o norte da Argentina indicando a presença do jato de baixos níveis e a ocorrência de advecção de ar quente e seco. No escoamento em 250 hPa (Figura 10) observa-se uma crista se estendendo do norte da Argentina até o sul do Atlântico e também a intensificação dos ventos de oeste entre os paralelos 30S e 40S (jato subtropical) e o enfraquecimento dos ventos ao longo do paralelo 20S no Continente. Com os ventos mais fracos nas regiões Sudeste e Centro-Oeste isto evidenciou a presença mais ao sul do jato subtropical.



Figura 5



Figura 6



Figura 7



Figura 8



Figura 9



Figura 10



Figura 11




Análise do padrão sinótico no período de 01 a 11 de julho:

Nesse período a região Sul do Brasil teve pouca chuva, novamente, as frentes frias que passaram foram fracas e ainda não resolveram o problema do déficit de chuvas na região (figura 12) as temperaturas apresentaram valores acima do normal (Figuras 13 e 14). Anomalias negativas das temperaturas máximas (figura 13) e minímas (figura 14) na região Nordeste foram causadas pela intensificação da alta pressão no Atlântico (figura 15) e dos ventos de leste. A região Sudeste apresentou anomalia positiva de precipitação no leste de São Paulo, principalmente na capital paulista, como resultado da passagem de uma frente fria no dia 10/07. Também parte da região Centro-Oeste (MTe MS) apresentou anomalia positiva de precipitação como resultado da passagem de um cavado em médios (500 hPa) e altos níveis (250 hPa) da atmosfera entre os dias 01 e 02/07. O escoamento atmosférico mostra uma ampla crista e anomalia positiva de geopotencial (Figura 16) desde o sul do Brasil e Paraguai até as proximidades das Ilhas Falkland/Malvinas. Nota-se no Pacífico e no Atlântico a presença de cavado e anomalia negativa de geopotencial. O domínio de uma crista em superfície com a alta pressão no Atlântico (figura 15), próximo da região Sul, fez com que os ventos de norte (figura 18) se intensificassem entre o Paraguai e o norte da Argentina, trazendo uma forte advecção de ar quente e seco. O escoamento em 250 hPa (figura 17) apresentou ventos fracos do quadrante oeste em parte das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul e o jato subtropical mais intenso próximo de 40S no Continente. Como o jato subtropical não se posicionou mais ao norte, os sistemas frontais que passaram pelo Brasil foram rápidos e de pouca intensidade.



Figura 12



Figura 13



Figura 14



Figura 15



Figura 16



Figura 17



Figura 18


Análise do padrão sinótico no período de 12 a 27 de julho:

O segundo período compreendido entre os dias 12 e 27 de julho se caracterizou por fortes anomalias positivas de temperaturas (figuras 20 e 21) na região Sul, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Mato Grosso do Sul (ver tabela de casos significativos). Uma forte massa de ar seco se estabeleceu no Brasil, que impediu o avanço de frentes frias para latitudes tropical e fez cair bastante a umidade relativa do ar, além de provocar recordes nas temperaturas máximas. O campo do geopotencial (figura 23) mostra que o escoamento teve um bloqueio no Pacífico e uma anomalia positiva na região Sul do Brasil, no Paraguai, Uruguai e no norte da Argentina. Isto impediu o avanço de frentes frias e a precipitação (figura 19) teve anomalias negativas em grande parte do Brasil, prinicipalmente, no Sul, no Norte e em parte do litoral do Nordeste. Nesse período o jato de baixos níveis (figura 25) se intensificou entre o sul da Bolívia e o Rio Grande do Sul, mas advectando ar quente e seco, causando temperaturas elevadas no Sul do Brasil. Também, o jato subtropical não atuou no Brasil e no Pacífico houve um ?bloqueio? atmosférico com um cavado aparecendo próximo do meridiano de 105W (figura 24). Anomalias positivas de pressão (figura 22) são notadas no Estado da Bahia e negativas em grande parte da Argentina. Uma ampla crista domina o padrão de circulação no Brasil com o centro da alta pressão de 1023 hPa no Atlântico.




Figura 19



Figura 20



Figura 21



Figura 22



Figura 23



Figura 24



Figura 25


Análise do padrão sinótico no período de 28 a 31 de julho:

Nesse último período houve mudanças no padrão sinótico em latitudes médias e altas. Uma forte massa de ar frio avançou pelo sul da Argentina e conseguiu quebrar o ?bloqueio? atmosférico. A alta pressão atingiu valores médios de 1038 hPa no Pacífico Sul oriental (figura 29). Essa massa de ar frio acompanhou uma frente fria que conseguiu chegar à região Sudeste. Embora o período de estudo envolva quatro dias, notou-se que a precipitação apresentou anomalias positivas em parte das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste (figura 26). Com a passagem da frente fria o ar que estava muito seco e as temperaturas muito elevadas sofreram bruscas mudanças (figuras 27 e 28). Na região Sul houve recorde de temperatura mínima do ano em Santa Catarina e geadas em grande parte das áreas. No nível de 500 hPa (Figura 30) surge um escoamento com um amplo cavado na costa da Região Sul com anomalia negativa de geopotencial e uma ampla crista no Pacífico com forte aumento do geopotencial (anomalia positiva) . Essa anomalia aparece devido a uma ciclogênese intensa em superfície no Atlântico (Figura 29). No nível de 250 hPa também tem-se um cavado significativo que se estende do Sul do Brasil até o centro de um vórtice ciclônico no Atlântico e uma ampla crista que se estende de um centro anticiclônico no Pacífico até latitudes tropical (Figura 31). Na figura 32 nota-se forte anomalia positiva do vento meriodional (ventos do quadrante Sul ) avançando da Península Antártica até o Mato Grosso do Sul e Bolívia e isto indica a forte advecção de ar frio antártico. Os vórtices: ciclônico no Atlântico; e anticiclônico no Pacífico contribuiram para essa advecção.


Figura 26



Figura 27



Figura 28



Figura 29



Figura 30



Figura 31




Figura 32




AVALIACÃO DE AVISOS METEOROLÓGICOS ESPECIAIS

O texto abaixo apresenta a avaliação subjetiva dos avisos meteorológicos emitidos no decorrer do mês de julho.









Atualizado em 31/07/2006 11:54

Proximo

INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
CPTEC - Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos
© Copyright 2010 CPTEC/INPE
Comentários e/ou sugestões: Fale Conosco